Gif de trecho do vídeo de Pablo dos Santos no Encontrão dos Amantes de Corrida 2016 - Blog Corredor 944 |
Amantes da Corrida - Série Grupos do Facebook I
Amigos!Foi em busca de motivação para superar uma lesão, que Luciane Casanova, 39, teve a ideia de criar um grupo para corredores no Facebook. Era 12 de abril de 2012, e a advogada e atleta santista não fazia ideia que Amantes da Corrida fosse figurar entre os três maiores grupos da atualidade. Sem conhecê-la pessoalmente, trocamos mensagens no Messenger. Eu queria saber como o Amantes conseguiu bater a marca dos 50.000 membros. Surpreendi-me ao descobrir que Luciane é atleta das boas, com mais de 50 pódios em diversas corridas, história que veremos após as Perguntas&Respostas seguintes:
BiraNaNet: Gerenciar o grupo exige muito do seu tempo?
Luciane: Exige muito tempo, responsabilidade e envolvimento. Não basta
simplesmente criar, você precisa se fazer presente, estar envolvida,
conhecer os membros, acho que esse é o diferencial. O grupo precisa ter uma
identidade, uma ideologia e apenas administrar não possibilita isso.
BiraNaNet: Já
teve bate-bocas no grupo? Por quê? Se teve, qual foi a consequência e a solução?
Luciane: Lidar com
pessoas é sempre muito difícil. Até porque, felizmente, todos nós temos opiniões diversas, que acabam por gerar
polêmicas e discussões. Sim, já houve muitas polêmicas. Quando o assunto é "Pipoca", é bem
complicado, em decorrência das correntes radicalmente opostas. Neste caso, a
decisão foi proibir o assunto. Mas há outros que também
causam problemas, como postagens em trajes minúsculos, demonstrações de pace em
aplicativos. O problema é que atualmente vivemos num mundo intolerante. Todo
mundo se incomoda mais com que os outros fazem do que consigo mesmo. Nestes
casos, a administração precisa ter pulso e, se precisar, expulsar para manter harmonia no grupo. Não é uma coisa que gosto,
mas considero necessário às vezes.
BiraNaNet: Qual é
o segredo para atrair mais de 50 mil pessoas para um grupo?
Luciane: Acho que é se fazer presente. É simplesmente falar a mesma língua dos
corredores. Trazer assuntos que realmente agregam, humor, dicas, fazer o grupo
sair do virtual e provar que muitas amizades podem ser feitas através de grupos
em redes sociais. O boca-a-boca é muito importante. Hoje eu não preciso mais
fazer propaganda do grupo, ele caminha sozinho. Recebemos por semana uma média
de 1.000 novos membros e isso se dá pela indicação das próprias pessoas do grupo
que se sentem muito bem vindas.
BiraNaNet: Seu
grupo já promoveu ou promove eventos presenciais?
Luciane: Sim, o
grupo já promoveu três encontros. Um deles, em Santos, onde foi feito um treino
solidário. O treino solidário é mesmo a ideologia do grupo, demonstrando que dá para correr e ajudar o próximo ao mesmo tempo. Por isso é um esporte tão
agregador e que sociabiliza as pessoas. Outros dois "Encontrões" foram feitos na Adidas Base Run de São Paulo, com mais de 300 presenças. É sempre um dia de muita alegria, iniciado com nosso café da amanhã, treinos, atividades e a oportunidade de
conhecermos uns aos outros...
Encontrão de 19-03-2016 - Foto Blog Corredor 944 que cobriu o evento com imagens e vídeos - Confira no link. |
BiraNaNet: Tem
algum sonho ou planos envolvendo as pessoas do grupo?
Luciane: Sonho,
acho que não. Mas talvez uma expectativa de realizar uma corrida com o nome do
grupo. Talvez, quem sabe, é um projeto mais para frente.
BiraNaNet: Tem
algo que gostaria de fazer ou implementar no grupo, mas o Facebook não
permite?
Luciane: Gostaria
de bloquear certas expressões... “Pipoca” é uma que eu proibiria... Na verdade
as regras do grupo proíbem esse assunto. Não é uma questão de ditadura como
muitos possam pensar, mas como eu disse, há duas correntes extremamente
radicais neste assunto.
BiraNaNet: Quais
conselhos você daria a alguém que queira criar um grupo de sucesso no Facebook?
Luciane: O segredo
é envolver-se. Como eu disse, criar um grupo é muito fácil. Precisa conhecer os
membros. Eu mesma conheço muitos pessoalmente e muuuuitos que ainda não conheço
converso pelo in box, pelo whats. A proximidade e o acesso fácil entre membros e
administrador é uma ferramenta importantíssima. Isso passa segurança e uma
sensação de que realmente aquele membro não é só um número no grupo. É você
estar a par das postagens, e estar pronta para agir quando houver qualquer tipo de
confusão no grupo. É difícil, pois você precisa separar a administradora da pessoa
e muitas vezes adquire uma fama não muito boa. No entanto, a meu ver, o balanço
final é bom... Hoje o grupo é o terceiro maior do país, e o que mais vem
crescendo.
BiraNaNet: Mais alguma coisa que queira falar...
Luciane: Eu gosto
de citar sempre uma frase que uso no grupo: "Somos um grupo, portanto devemos
pensar como um grupo". Uma teia sozinha não é capaz de amarrar sequer um
mosquito, mas várias teias amarram um búfalo. Assim, o grupo só é conhecido e
tem esse sucesso porque trabalhamos todos juntos, cada um trazendo uma parcela,
seja de conhecimento, seja de amizade ou pela simples presença. Não há trabalho
individual. Os Amantes representam uma união de ideias, apesar de muitas vezes
polêmicas, mas ainda assim, pensando como um coletivo.
BiraNaNet: Para finalizar, como você
consegue administrar o tempo de dedicação ao grupo com as demais atividades da
vida cotidiana? Isso é difícil?
Luciane: Muito
difícil... Estava bem complicado pra mim, porque quanto mais você é conhecida,
mais convites surgem. Eu recebi um convite para assumir a coluna motivacional
do site de corridas Go Running! Depois recebi um convite do Bruno Stamini para
escrever também numa coluna em seu canal, além dos patrocinadores que entram em
contato... A coisa vai crescendo sem você perceber. Aí, tive que renunciar às
colunas, que era uma coisa que eu curtia bastante fazer. Hoje eu me dedico ao
grupo, mas consigo também fazer minhas coisas, que também não são poucas.
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Luciane, A Corredora
Luciane Casanova foi apresentada à corrida por seu pai, quando tinha 16 anos. Aos 23, no ano 2000, começou a competir. De lá para cá, já subiu ao pódio mais de 50 vezes nas provas de diversas distâncias, topografia e tipos de solo. Em 2011 desafiou os perigos da Corrida das Torres, 12 km de trilhas em meio à mata atlântica de Caruara - Santos, conforme relatou:-- Meu pai e meu ex-marido estavam na prova comigo. Eles ficaram para trás e eu fui, mas vi um moço caindo da ribanceira e ficando agarrado nos galhos. Não tinha resgate. Se acontecesse alguma coisa, a gente teria que ficar até chegar um helicóptero. Quando vi o acidente, me abalei de medo. Meu pai havia sumido no caminho e dois amigos fotógrafos me avisaram que ele estava passando mal, lá atrás. Na maioria dos trechos eu estava sozinha, numa área onde moravam índios e eu fiquei apreensiva. Pensei em parar, mas seria pior. Optei por sofrer correndo.
Mas o sofrimento de Luciane com a corrida também se apresentou travestido em "excesso de competitividade", em 2012, como conta:
-- Foi quando a corrida deixou de ser algo saudável e divertido. Eu passei a ver as meninas como inimigas e me frustrava mesmo correndo apenas 10 segundos acima do pretendido. A corrida se transformou apenas eu um evento papa-troféus: Eu ia, corria, pegava o meu troféu e pronto. Hoje vejo de outra forma: Um esporte agregador onde se faz amizades. Onde você vibra pelas pessoas, independente de serem ou não da sua categoria. Hoje eu continuo sendo competitiva ao extremo, mas não me frusto quando vejo que dei o meu melhor... Eu fico feliz, mesmo com a medalha de participação.
Luciane Casanova e seus troféus - foto pessoal. |
Luciane só voltou a participar de uma corrida, no ano passado, porque queria muito ganhar a camisa prova. Hoje, mais que uma estante repleta de troféus, ela tem milhares de fãs e amigos em todo Brasil. #
Em breve: matérias com os Grupos Viciados em Corridas de Rua, Corredores de Rua e outros... Fique atento!... Mas não esqueça de curtir o blog, clicando na imagem da lateral > > >
Abraços!
Bira.
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